Tentarei,
nas próximas linhas, defender uma tese que acho no mínimo uma questão de
justiça. O Brasil se acostumou a fazer graça com o Barrichello: perdedor,
tartaruga, pé de chinelo, eterno vice, entre outros. Quem faz uma leitura
superficial imagina se tratar de uma verdade irrefutável. Eu discordo!
Verificando o ranking histórico da Fórmula 1 desde 1950, Barrichello é o 5º em
número de pódios e o 5º geral em pontos conquistados, e ainda, o 19º em poles e o 24º melhor piloto em 62 anos
de história de Fórmula 1.
Quantos profissionais vocês conhecem que tenha ficado por 19 anos entre os 20
melhores do mundo dentro de sua expertise; tenha recebido de salário em torno
de US$ 10 milhões por ano fazendo o que gosta; tem casa em Portugal e em Mônaco
como apoio nas suas constantes viagens pela Europa; seja recordista mundial
(323 corridas) de participação no emprego assumido; e ainda tenha 11 vitórias
individuais e, por 14 vezes, o mais rápido no quesito “pole position” e, de
quebra, ter trabalhado na “empresa” mais mítica na sua especialidade – a
escuderia Ferrari?
É muito comum, nós brasileiros, falarmos mal do Brasil. Também é muito comum
não reconhecermos os vice-campeões, os terceiros colocados etc. No Primeiro
Mundo há um pensamento coletivo mais racional (talvez tenha a ver com a
educação do povo...). Por exemplo, com o início da temporada 2012 da F-1 a
revista Autosprint perguntou em seu site: “Se você fosse Stefano Domenicali
(chefão da Ferrari), para quem você daria o carro número 6?”. O preferido entre
as nove opções, com 33,8% de mais de 4.300 votos, na manhã em que a enquete foi
para o ar, foi o brasileiro Rubens Barrichello.
Com o olhar debochado de alguns programas de televisão, podemos até achar graça.
O próprio Barrichello compareceu em um dos programas que o sacaneiam e,
mostrando muita maturidade, fez uma corrida de carrinho de supermercado contra
o personagem Rubinho Pé de chinelo. Assim, olhando o fato de maneira racional,
podemos perguntar: quantos dos profissionais que riem do Barrichello fizeram ou
fazem, na sua esfera de atribuições, o que ele fez na vida esportiva?
E, finalizando, aprendemos neste início de ano mais uma lição com o
Barrichello: “Devemos sempre ter projetos.” Ou seja, ele podia parar após a
bonita carreira na F-1, entretanto, preferiu se manter fiel à velocidade e
iniciou uma nova fase na carreira indo para a Fórmula Indy. Assim, podemos
perguntar: Quem é pé de chinelo?
Davi Rodrigues Poit é
vice-diretor da ESEF, professor convidado da FGV-FAAP-UGF, doutor em Educação
PUC-SP, autor do livro Organização de Eventos Esportivos-2006 e Cerimonial e
Protocolo Esportivo-2010. www.eventosesportivos.com.br.

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