Caros IIr.'.,
(Nestes posts vamos destilar um pouco de nossa verve literária para tecer comentários, opiniões e dar alguns pitacos naquelas pequenas coisas que observamos por aí, mas que de certa forma, chegam a causar algumas inquietações quando pensamos sobre elas. O seu comentário é muito importante, pois é através dele que poderemos pautar novos assuntos, propor novas ideias e até mesmo, mudarmos nossa opinião, já que estamos sempre aprendendo. Esta ferramenta fantástica chamada blog, possibilita isso: aproximar, mesmo que por um vínculo eletrônico e gerar participação. Para esta primeira apresentação, vamos falar de algo que está faltando nos círculos em que costumamos transitar: a gentileza.)
O trânsito das cidades cada vez mais caótico, com motos se espremendo em cantos inimagináveis e automóveis disputando palmo a palmo uma pseudo vantagem de 2 metros à frente do outro, para, no próximo semáforo estarem lado a lado impedidos de ultrapassagens indolentes. A verticalização das cidades, que obrigou o homem a se aproximar, teoricamente, do outro, através de prédios e vagas estreitas nas garagens dos condmínios, fez aflorar o pesado fardo que é a convivência: diariamente surgem novos conflitos, simplesmente pela falta de conhecimento e tolerância para com o próximo e qualquer sinal de amizade é visto como um complô para tomar a sindicância. O vizinho sem noção que insiste em ter cachorro barulhento atrapalhando o descanso esticado do feriado ou fim de semana. Situações que não podem ser concebidas na cabeça de alguém que se preocupa com o outro, com o diferente, com a cultura de cada um, enfim, não cabem no relacionamento humano moderno, que se diz voltado à integração.
O homem se equipou com os mais avançados equipamentos de conexão: telefone celular, internet, TV digital, cabos de fibra ótica, sistemas integrados, mas não consegue equacionar a sua relação em grupo, em sociedade. Não consegue interagir com o seu semelhante na busca de um objetivo em comum. Diz-se conectado, plugado, ligado, mas não promove a habilidade com as palavras cordiais, com um gesto de apoio, com uma atitude colaborativa e, não obstante a era moderna, ainda vive no ostracismo, na caverna de si mesmo, na cultura do ‘cada um por si’ e faz, da gentileza, talvez, algo perdido no passado e muito longe de ser resgatado.
Bom dia. Boa tarde. Boa noite. Como vai? Tudo bem aí?
É isso.
Carlos Cunha
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