quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Um Pequeno Ensaio Sobre a Gentileza

Caros IIr.'.,

(Nestes posts vamos destilar um pouco de nossa verve literária para tecer comentários, opiniões e dar alguns pitacos naquelas pequenas coisas que observamos por aí, mas que de certa forma, chegam a causar algumas inquietações quando pensamos sobre elas. O seu comentário é muito importante, pois é através dele que poderemos pautar novos assuntos, propor novas ideias e até mesmo, mudarmos nossa opinião, já que estamos sempre aprendendo. Esta ferramenta fantástica chamada blog, possibilita isso: aproximar, mesmo que por um vínculo eletrônico e gerar participação. Para esta primeira apresentação, vamos falar de algo que está faltando nos círculos em que costumamos transitar: a gentileza.)

Bom dia. Boa tarde. Boa noite. Como vai? Tudo bem? Obrigado. De nada. Com licença. Por favor. O cotidiano tornou os homens cada vez mais próximos pela tecnologia, mas ao mesmo tempo os levou para mais distante, tanto de si como dos outros. Palavras que exprimem cordialidade caíram em desuso e faz-nos ser olhados como ridículos quando as pronunciamos, estejamos nós na  fila do banco, no ponto de ônibus, no trânsito, no caixa do supermercado, na fila do aeroporto, em qualquer circunstância.

O trânsito das cidades cada vez mais caótico, com motos se espremendo em cantos inimagináveis e automóveis disputando palmo a palmo uma pseudo vantagem de 2 metros à frente do outro, para, no próximo semáforo estarem lado a lado impedidos de ultrapassagens indolentes. A verticalização das cidades, que obrigou o homem a se aproximar, teoricamente, do outro, através de prédios e vagas estreitas nas garagens dos condmínios,  fez aflorar o pesado fardo que é a convivência: diariamente surgem novos conflitos, simplesmente pela falta de conhecimento e tolerância para com o próximo e qualquer sinal de amizade é visto como um complô para tomar a sindicância. O vizinho sem noção que insiste em ter cachorro barulhento atrapalhando o descanso esticado do feriado ou fim de semana. Situações que não podem ser concebidas na cabeça de alguém que se preocupa com o outro, com o diferente, com a cultura de cada um, enfim, não cabem no relacionamento humano moderno, que se diz voltado à integração.

O homem se equipou com os mais avançados equipamentos de conexão: telefone celular, internet, TV digital, cabos de fibra ótica, sistemas integrados, mas não consegue equacionar a sua relação em grupo, em sociedade. Não consegue interagir com o seu semelhante na busca de um objetivo em comum. Diz-se conectado, plugado, ligado, mas não promove a habilidade com as palavras cordiais, com um gesto de apoio, com uma atitude colaborativa e, não obstante a era moderna, ainda vive no ostracismo, na caverna de si mesmo,  na cultura do ‘cada um por si’ e faz, da gentileza, talvez, algo perdido no passado e muito longe de ser resgatado.

Bom dia. Boa tarde. Boa noite. Como vai? Tudo bem aí?

É isso.
Carlos Cunha

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